Economia
Lufthansa diz ter recebido "sinais favoráveis" dos sindicatos da TAP mas SINTAC exige garantias
Em comunicado, o SINTAC questiona a recuperação do investimento público de 3,2 mil milhões de euros e exige garantias para o emprego, o hub de Lisboa e o interesse nacional.
O presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, afirmou esta quinta-feira ter recebido manifestações favoráveis à cooperação com o grupo alemão por parte de estruturas sindicais ligadas à aviação portuguesa, considerando que as reservas anteriormente manifestadas poderão estar relacionadas com conflitos laborais na Alemanha."Mesmo a tempo desta conferência, recebemos respostas de três sindicatos
de Lisboa", afirmou o gestor, durante uma conferência telefónica com
analistas e investidores.
O responsável referiu ainda ter recebido uma carta dos representantes dos pilotos da TAP, na qual era acolhida favoravelmente a cooperação com a Lufthansa."Todos os encontros que tivemos, incluindo com os próprios sindicatos em Lisboa, mostraram-nos que compreendem que temos um historial comprovado de desenvolvimento e crescimento das companhias aéreas que adquirimos", declarou.
SINTAC questiona recuperação do investimento público
Apesar dos sinais de abertura referidos pelo CEO da Lufthansa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) defende que a escolha da Lufthansa deve ser avaliada em função do interesse nacional, da sustentabilidade da companhia e da proteção dos trabalhadores.
A organização sindical considera ainda que a TAP desempenha um papel estratégico na ligação de Portugal ao exterior, na conectividade com as comunidades portuguesas emigradas e os países lusófonos e na ligação às regiões autónomas.
Por isso, exige garantias claras, vinculativas e duradouras para o hub de Lisboa, as rotas estratégicas e a manutenção das funções e competências em Portugal, sobretudo se a Lufthansa vier a assumir a maioria do capital numa segunda fase.
A proteção do emprego e das condições de trabalho é outra das preocupações do SINTAC, que reclama compromissos que impeçam a transferência de postos de trabalho e funções para outros países do grupo.
A Lufthansa considera que a integração da TAP vai reforçar a sua posição nas ligações entre a Europa e a América do Sul.
Segundo Carsten Spohr, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) mostrou-se "muito aberto ao diálogo e favorável ao negócio".
Também o Sindicato Independente de Pilotos de Linhas Aéreas (SIPLA), que representa pilotos da Portugália, terá transmitido uma posição semelhante.
O responsável referiu ainda ter recebido uma carta dos representantes dos pilotos da TAP, na qual era acolhida favoravelmente a cooperação com a Lufthansa."Todos os encontros que tivemos, incluindo com os próprios sindicatos em Lisboa, mostraram-nos que compreendem que temos um historial comprovado de desenvolvimento e crescimento das companhias aéreas que adquirimos", declarou.
SINTAC questiona recuperação do investimento público
Apesar dos sinais de abertura referidos pelo CEO da Lufthansa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) defende que a escolha da Lufthansa deve ser avaliada em função do interesse nacional, da sustentabilidade da companhia e da proteção dos trabalhadores.
Num comunicado enviado às redações esta quinta-feira, o sindicato, que afirma não ter uma posição fundamentalista contra as privatizações, questiona a recuperação dos cerca de 3,2 mil milhões de euros de dinheiro público investidos na TAP."Os contribuintes portugueses investiram cerca de 3,2 mil milhões de euros na TAP", recorda o SINTAC, que exige esclarecimentos sobre quanto será efetivamente recuperado, em que prazo e com que grau de certeza.
A organização sindical considera ainda que a TAP desempenha um papel estratégico na ligação de Portugal ao exterior, na conectividade com as comunidades portuguesas emigradas e os países lusófonos e na ligação às regiões autónomas.
Por isso, exige garantias claras, vinculativas e duradouras para o hub de Lisboa, as rotas estratégicas e a manutenção das funções e competências em Portugal, sobretudo se a Lufthansa vier a assumir a maioria do capital numa segunda fase.
Trabalhadores querem maior participação
A proteção do emprego e das condições de trabalho é outra das preocupações do SINTAC, que reclama compromissos que impeçam a transferência de postos de trabalho e funções para outros países do grupo.
O sindicato lamenta também que os representantes dos trabalhadores não tenham sido envolvidos de forma mais efetiva no processo de privatização.
Lisboa como porta de entrada para a América do Sul
A Lufthansa considera que a integração da TAP vai reforçar a sua posição nas ligações entre a Europa e a América do Sul.
Durante a apresentação do projeto aos principais acionistas, o presidente executivo destacou o potencial de Lisboa como plataforma de ligação ao Brasil.
Carsten Spohr prever que a quota do grupo nas rotas entre a Europa e a América Latina passe de 9% para 20%.O plano prevê também reforçar a operação de longo curso no Porto,
aumentar a frota da TAP e investir na manutenção aeronáutica, inovação e
formação, com projetos que poderão criar centenas de postos de trabalho
em Portugal.
O Governo português escolheu a Lufthansa para adquirir inicialmente 44,9% da TAP, por um preço de referência de 1.025 milhões de euros. A operação poderá ficar concluída no primeiro semestre de 2028, dependendo das autorizações regulatórias.
O Governo português escolheu a Lufthansa para adquirir inicialmente 44,9% da TAP, por um preço de referência de 1.025 milhões de euros. A operação poderá ficar concluída no primeiro semestre de 2028, dependendo das autorizações regulatórias.